Gastrite causada por Bactéria




Brasil tem alto índice de bactéria da gastrite; entre 80% e 90% das pessoas estão infectadas
01/09/2009 13h47



Presente no organismo de dois terços da população mundial, a Helicobacter pylori é uma espécie de bactéria que infecta o revestimento mucoso do estômago humano, podendo causar consequências desagradáveis como úlcera péptica e gastrite. Ela é transmitida através de saliva ou pela ingestão de água e alimentos contaminados. No Brasil, estima-se que entre 80% e 90% da população seja portadores da bactéria, dado bem alarmante se comparado à média mundial.

O agravante está no fato de cerca de 70% dos casos de contaminação serem assintomáticos, o que faz com que boa parte da população brasileira não procure ajuda médica.

“O alto índice de ploriferação desta bactéria no mundo se dá principalmente pelas más condições de higiene e saneamento. Morando num país com saneamento ruim, você acaba tendo muitos casos. Na Finlândia, por exemplo, você tem de 10% a 15% da população contaminados com a Helicobacter pylori”, explica o gastrointeriologista do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, Eduardo Berger.

A Helicobacter pylori foi descoberta em 1899, pelo professor Walery Jaworski da Universidade Jaguelônica, em Cracóvia. Apesar disso a comunidade médica demorou a reconhecer o papel deste micro-organismo nas úlceras gástricas e gastrites, por acreditar que nenhuma bactéria pudesse sobreviver muito tempo no ambiente ácido do estômago. Em 1981, o patologista australiano Barry Marshall precisou beber uma cultura de H. pylori, tendo em seguida uma gastrite, posteriormente analisada e comprovada por biópsias, para que a medicina passasse a reconhecê-la oficialmente.

A partir de 1994, o Instituto Nacional de Saúde dos EUA recomendou que os antibióticos sejam incluídos no tratamento. Até então todas as úlceras e gastrites eram tratadas por neutralização ou diminuição da produção do ácido gástrico. Quando esse tratamento era interrompido, as úlceras frequentemente reapareciam.

“Atualmente existe o tratamento tríplice com inibidor de bomba de hidrogênio, associado a dois antibióticos (claritromicina e amoxicilina), que são tomados durante sete dias. Este tratamento proporciona uma margem de cura de 98%. Há ainda alguns tratamentos alternativos, mas, nestes casos a efetividade não são tão garantidas”, comenta Berger.

O tratamento tradicional é considerado doloroso, bem como os exames de detecção. Apesar da eficácia, os pacientes costumam reagir mal à associação de antibióticos com o inibidor de bomba de hidrogênio, tendo efeitos colaterais desagradáveis como náuseas e vômitos.

“O diagnóstico da Helicobacter pylori pode ser feito através de exame de sangue, teste respiratório e biópsia gástrica (endoscopia), que é o mais completo exame”, explica o gastrointeriologista Gino Breder.

Por causa dos desconfortos com a endoscopia, a estudante Thaísa Ingaglia, vítima de gastrite crônica há três anos, ainda não conseguiu diagnosticar a Helicobacter Pylori, embora todos os sintomas apontem para a presença da bactéria em seu organismo. “Tentei realizar o exame da endoscopia, mas não consegui obter êxito. Foi um procedimento muito desagradável”, conta ela, que continua sofrendo com crises gástricas.

Fonte: Jornal do Brasil



Eduardo Berger